No passado dia 19 de janeiro, pelas 10 horas, no Auditório do Hospital do Litoral Alentejano, decorreu uma formação subordinada ao tema “Colheita de órgãos e tecidos nos hospitais da rede de referenciação do GCCT do Hospital de S. José”.

Desde 2008  que o Hospital do Litoral Alentejano integra a Rede Hospitalar do Gabinete Coordenador de Colheita e Transplantação (GCCT) do Centro Hospitalar Lisboa Central – HSJosé, EPE.

A mensagem que se pretendeu transmitir à população é de que ser dador é um ato de solidariedadeAfinal, no limite, todos somos potenciais recetores e se formos dadores podemos salvar, pelo menos, uma vida!”

No final da formação, o Gabinete de Comunicação da ULSLA realizou uma entrevista ao Diretor do GCCT-HSJosé,  Enf.º Fernando Rodrigues, e à Coordenadora Hospitalar de Doação da ULSLA, Dra. Maria João Vilas, que desde já convidamos a ler:

GC da ULSLA – Quem é potencial dador de órgãos?

Diretor do GCCT – Do ponto de vista legal, qualquer cidadão nacional que não tenha manifestado indisponibilidade junto do Ministério da Saúde, através dos Centros de Saúde, onde existe a possibilidade de inscrição no Registo Nacional de Não-Dadores (RENNDA), é considerado potencial dador.

Surge a questão, relativamente às crianças, se os menores são dadores ou não são dadores. A legislação não diferencia entre maior ou menor de idade, todos somos potenciais dadores. A diferença entre ser adulto ou ser criança é que as crianças não têm autoridade para fazer essa inscrição. São os progenitores que têm essa oportunidade de manifestar a oposição à dádiva, junto dos Centros de Saúde, com a inscrição no RENNDA.

Relativamente à questão colocada de ser ou não dador, no formulário de inscrição no RENNDA não há uma obstrução total à dádiva, ou seja, eu posso não querer ser dador de determinado órgão específico ou de determinado tecido específico, após a minha morte, mas não me importar que colham os restantes órgãos ou restantes tecidos. Esta oposição pode não ser uma oposição na totalidade da doação. Posteriormente, se houver mudança de opinião, relativamente ao que foi a minha inscrição, posso fazer alterar a minha posição e essa base de dados vai sendo atualizada. Para todos os processos, os Gabinetes Coordenadores de Colheita e Transplantação têm que consultar a base de dados. É obrigatório, perante um potencial dador de órgãos, que haja uma consulta prévia ao Registo Nacional de Não-Dadores.

GC da ULSLA – Como se desencadeia o processo de doação?

Coordenadora Hospitalar de Doação da ULSLA – Para que possa haver doação de órgãos tem que ser reunido um conjunto de circunstâncias:

– o dador tem que falecer no Hospital;

– depois de se verificar a paragem irreversível das funções cerebrais ou cardio-respiratórias, o corpo tem que ser mantido artificialmente, desde o momento da morte até ao momento da colheita dos órgãos;

– é necessário que se conheça, com exatidão, a causa da morte, uma vez que não são aceites como dadores indivíduos que sejam, na altura da morte, portadores de uma doença infecto-contagiosa, de um tumor maligno ou de uma doença com repercussão nos órgãos a transplantar.

Uma vez certificada a morte, e se o cadáver tiver características adequadas à doação (ou seja, se os seus órgãos puderem ser úteis para curar ou melhorar a saúde de outras pessoas), o Coordenador hospitalar de doação tem a obrigação de se informar, por todos os meios ao seu alcance, sobre a vontade expressa em vida por aquele indivíduo em relação à doação. Para este efeito, e após contato com os familiares próximos do falecido, procede ao contato com o Gabinete Coordenador de Colheita e Transplantação que, por sua vez, procede à consulta do Registo Nacional de Não-Dadores.

No caso de não existirem objeções, prossegue-se com o procedimento de colheita.

GC da ULSLA – E quanto aos cidadãos estrangeiros?

Diretor do GCCT – Há cidadãos estrangeiros que se cruzam por cá e os residentes. Para estes últimos, nomeadamente se têm uma residência fixa em Portugal, passam a reger-se pela nossa legislação. No que diz respeito à doação, também estes cidadãos têm a possibilidade de se registarem no RENNDA. O facto de ser estrangeiro (visitante/turista) e falecer em Portugal, não exclui a hipótese de ser um possível dador. Nestes casos tem que existir uma abordagem diferente e um consentimento esclarecido e informado da família, relativamente ao processo de doação; pois não se encontram inscritos na nossa base de dados.

GC da ULSLA – O processo de doação aumentou ou diminuiu na atualidade?

Diretor do GCCT – A colheita de órgãos não é algo que seja previsível. Depende de muitas variáveis, do que é a realidade dos hospitais e das condições clínicas que levam à possibilidade de colheita. Obviamente aqui as políticas de saúde, por vezes, também podem ter impacto mas, no geral, tem existido uma tendência de aumento da potencialidade da doação. Tivemos uma inflexão na nossa taxa de doação a partir do ano de 2010 a 2012, mas que estamos de momento a recuperar. Pode ter a ver, possivelmente, com algum “emagrecimento” em termos do número de profissionais de saúde, e naquilo que lhes é requisitado em toda a gestão deste processo que envolve multidisciplinariedade.  Todas estas implicações acabam por ter repercussão naquilo que é a nossa taxa de doação. Porém, neste momento, estamos novamente numa situação ascendente e o nosso objetivo é a divulgação deste assunto junto da população. Ainda relativamente a esta questão e à abordagem junto da família, nós pretendemos, enquanto GCCT e na articulação com os Hospitais Dadores, que haja uma transparência dos processos. As famílias devem ser informadas, para que não sintam que nos estamos a “aproveitar” daquele dador de uma forma escondida ou obscura. Todavia tem que ser uma realidade e uma máxima que as pessoas têm que reter: QUALQUER PROCESSO DE COLHEITA, INDUBITAVELMENTE, SÓ SE INICIA DEPOIS DE ESTAR COMPROVADO O FALECIMENTO DA PESSOA: MORTE CEREBRAL OU POR UMA PARAGEM CARDIO-RESPIRATÓRIA, NUMA PARAGEM IRREVERSÍVEL. O PROCESSO SÓ SE INICIA DEPOIS DE ESTAR COMPROVADA A MORTE.  ESTA É A VERDADE QUE TEM QUE SER ASSIMILADA PELAS PESSOAS. Salientar que as famílias têm o direito de ser informadas mas, legalmente, não podem manifestar a sua oposição à dádiva.

GC da ULSLA – Qual a importância da rapidez no processo de doação?

Diretor do GCCT – A partir do momento em que há a instalação de um processo de morte, todos os órgãos começam a sofrer com esse processo. Avaliada a potencialidade dos órgãos a colher naquele dador, terá que se obter uma avaliação clínica, a mais detalhada possível, relativamente à qualidade dos órgãos a ser colhidos. Este processo implica o envolvimento e convergência de esforços de vários profissionais. O objetivo é colher órgãos com a maior qualidade possível, para que o sucesso do transplante dos doentes que os vão receber seja, também, maior.

É uma rapidez relativa, mediada pela gestão dos Gabinetes Coordenadores de Colheita e Transplantação que fazem a ponte entre os hospitais dadores e as unidades de transplantação, sempre em articulação com o coordenador hospitalar de doação.

GC da ULSLA – Qual a mensagem que pretendem deixar à população?

Diretor do GCCT – Pretendemos transmitir que todos nós somos potenciais dadores e todos nós somos potenciais recetores, mas acima de tudo, pretendemos transmitir que a doação é uma questão de solidariedade social e deve ser considerada por todos.

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