O projeto-piloto arrancou em Sines e em Dezembro foi implementado na ULSLA. Em entrevista à SPMS, Ana Correia, enfermeira chefe da UCSP em Sines, faz o balanço dos benefícios que a nova aplicação veio trazer no controlo da vacinação.
Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS): A campanha Vacinas Para a Vida tem sido eficaz na promoção da vacinação?
Ana Correia (AC): Sim.
Considero que as campanhas de promoção da Vacinação têm tido um papel essencial na sensibilização da população na adesão à vacinação.
No entanto, é importante que estas campanhas ocorram com uma maior frequência, em simultâneo com as intervenções desenvolvidas nos Cuidados de Saúde Primários (CSP), junto de escolas e da comunidade.
Qual o papel do enfermeiro na Vacinação?
As intervenções de enfermagem neste âmbito requerem o domínio de uma grande diversidade de competências técnicas e humanas que abrangem, não só a prestação de cuidados diretos aos utentes, mas também a gestão e manutenção da qualidade dos produtos vacinais e equipamentos e a monitorização contínua da eficácia e eficiência dos serviços, através da vigilância epidemiológica das taxas de cobertura vacinal nas populações.
A intervenção na promoção da saúde significa reforçar a ação comunitária, desenvolver competências pessoais e reorientar os serviços de saúde. O enfermeiro
deve adotar estratégias quer técnicas quer comunicacionais, motivando as famílias e aproveitando todas as oportunidades para vacinar as pessoas suscetíveis, o que se traduz em mais-valias na eficiência do cumprimento das taxas de cobertura vacinais. O rigor e empenho dos profissionais no âmbito de vacinação é indispensável para manter a confiança dos utentes e promover a adesão à vacinação. A colaboração dos utentes, nomeadamente dos pais e cuidadores, é fundamental para o cumprimento do Programa Nacional de Vacinação (PNV), devendo ser-lhes provida toda a informação, disponibilidade e acessibilidade.
A Literacia em Saúde é um problema ou uma solução?
Na minha opinião, a população em geral apresenta níveis de literacia desadequados em saúde, com implicações significativas nos resultados, que se expressam através da menor utilização dos serviços de saúde no que se refere a cuidados preventivos.
Como podemos promover a Literacia em Saúde?
O Programa Nacional de Saúde Escolar é um dos recursos do SNS que pode contribuir para a melhoria da literacia em saúde, através do desenvolvimento de competências na comunidade educativa.
É fundamental investir em projetos de promoção de saúde em meio escolar, através da gestão adequada dos determinantes das doenças e na melhoria do acesso à informação sobre saúde. Neste contexto, os enfermeiros têm um papel preponderante na efetividade deste programa.
Também a Área do Cidadão do Portal SNS é uma mais-valia na comunicação com os cidadãos, pois disponibiliza um conjunto de funcionalidades e serviços úteis que visam aproximar o SNS dos cidadãos. Todo o cidadão pode aceder à Área do Cidadão do Portal SNS, através do link www.sns.gov.pt e efetuar o seu registo.
Este acesso permite-lhe visualizar toda a informação inerente aos seus dados pessoais, episódios de saúde, consultar o registo de vacinação no eBoletim de Vacinas, efetuar marcação de consultas, contactar os serviços de saúde, entre outros.
Tem ainda uma particularidade, que considero muito interessante, que é a existência da uma Biblioteca de Literacia em Saúde, onde se pode aceder a toda a informação sobre saúde, de acordo com o ciclo de vida, promovendo assim uma maior autonomia nos processos de saúde das pessoas. Quando esta ferramenta estiver operacional na sua plenitude será certamente uma mais-valia para o cidadão, no entanto, irá sempre existir uma “franja” de pessoas que não tem conhecimentos, nem acessibilidade a estas aplicações.
O projeto-piloto do novo sistema centralizado de Vacinas (O VACINAS) arrancou na Unidade Local de Saúde do Litoral Alentejano (ULSLA). Como avalia este processo?
O arranque ocorreu em abril de 2016 no Centro de Saúde de Sines, e teve como objetivo a substituição do registo de vacinas na aplicação SINUS, tornando a aplicação centralizada.
Foi desenvolvida uma fase de pré-implementação com a preparação e disponibilização da formação aos profissionais de saúde, por parte da SPMS. A implementação do projeto foi ainda facilitada pela disponibilização de Manuais de Utilização do VACINAS, que ajudaram na interpretação das funcionalidades deste novo sistema de informação.
Leia a entrevista na íntegra na Newsletter da SPMS ” Cuidados de Saúde Primários”.
Fonte: SPMS
