No âmbito das comemorações do Dia Internacional do Enfermeiro (DIE), a Ordem dos Enfermeiros (OE) assume, como habitual, a temática geral definida pelo International Council of Nurses (ICN)
: «Enfermeiros: Uma Voz para Liderar – Enfermagem para a Saúde no Mundo” do original «Nurses: A voice to lead – Nursing the World to Health» 2020.
A ULSLA EPE e a Direção de Enfermagem em particular associam-se a estas comemorações. Nesse
sentido e tendo em conta a temática supracitada, proponho-vos um olhar, em jeito de reflexão, e vos convido também a refletir.
Enfermagem para a Saúde no Mundo
Tendo em conta o momento atual de Crise Pandémica os Enfermeiros, quer na nossa instituição, nas demais a nível nacional e mesmo internacionalmente, promoveram e continuam a dar aos concidadãos um vislumbre sobre a maior profissão de saúde do planeta, como também, dos seus obstáculos, dos seus desafios e das suas conquistas.

Mudanças e crises podem acontecer a qualquer momento, sejam por causas de novas tecnologias, mudanças económicas, políticas e sociais que podem afetar o trabalho de uma forma geral, seja mudanças necessárias para o crescimento organizacional, mudança de cultura, enfim diversas necessidades e situações que podem levar a mudanças e, por mais que em algumas situações é esperado e outras não são, é de extrema importância e necessário ter foco e pensamento estratégico, não só por partes dos líderes como dos colaboradores de um modo geral.
Uma das características que se costuma instalar em momentos de mudanças e crise é o “medo” e, o medo só faz pensar no curto prazo e diminuir a visão.
Neste momento é importante pensar em estratégias não só de curto prazo, “mas principalmente” a médio e longo prazo. As mudanças e crises podem acontecer e, a organização precisa continuar por isso a importância de se pensar de forma “estratégica”, pensar em soluções no curto prazo, mas principalmente a médio e longo prazo, ter uma visão mais ampla da situação e da necessidade de prestação de cuidados de saúde à nossa população, é ter visão sistémica, ou seja, visão de tudo e do todo, como por exemplo, o que acontece no mundo que pode impactar a área ou atividade como um todo, desta forma facilitando e propondo ações, soluções estratégicas e sustentáveis, analisar o que a Lei permite e junto com os colaboradores pensar em formas de reduzir custos, propor estratégias, onde todos unidos e com consciência atravessemos o período da melhor forma possível focados no crescimento organizacional de forma sustentável.
Diante deste contexto urge a articulação e organização como um momento de integração e parceria com todos, mostrar a importância que todos os colaboradores têm em busca da retoma, do crescimento organizacional, que todos têm importância dentro do contexto diante do cenário de mudanças e crise, ter a visão de dono, “sim dono do negócio”, desta forma não só propor soluções e ajuda como entender as necessidades de mudanças, garantir não só a prestação do serviço como ajudar a Instituição a superar as adversidades em tempos de mudanças e crise.
Enfermeiros: Uma Voz para Liderar
Gerir pessoas é uma arte1 . É efetivamente?
Gerir pessoas não é uma arte. Gerimos pessoas quando somos nomeados chefes de qualquer coisa e fazê-lo não é uma arte. Vem com a função que temos. Gerir bem pessoas é diferente. É inspirar, é
formar, desenvolver, tornar o trabalho agradável para a equipa.
Isso tem muito de arte, porque se relaciona com o senso comum, com a personalidade da pessoa e
com lidar bem com as personalidades dos outros. Também tem criatividade. Gerir bem pessoas
relaciona-se muito com o exercício do senso comum, com informação útil para que funcione bem, ou seja, nós podemos aprender a ser melhores gestores de pessoas e podemos aprender a gerir melhor, o que vai para além da arte, que associamos a ter uma personalidade cativante com quem se relaciona.
Pode perguntar-se a diferença entre gerir bem e não gerir bem. Gerir é obter resultados através de pessoas. Gerir bem é apresentar resultados eventualmente melhores do que os expectáveis, com uma equipa feliz.
A primeira preocupação que um bom líder tem de ter, logo a seguir aos resultados, é a felicidade da equipa, porque os resultados só são sustentáveis se as pessoas estiverem felizes com o que estão a fazer. Afinal, é isto que procuramos na vida: sermos felizes não só no trabalho. Se um líder conseguir contribuir para a felicidade das pessoas, e felicidade não num termo romântico, e conseguir dar às pessoas o que gostam de fazer, reconhecer o trabalho bem feito, recompensar e fazer a gestão do desempenho pelo mérito, torná-las-á felizes.
Uma chefia que consiga contribuir para isto gere melhor pessoas. Uma pessoa que não se preocupe com estas coisas, mas que até organiza bem, pode, eventualmente, não ter uma equipa tão fiel, tão disposta a fazer sacrifícios e a apresentar resultados.
Em suma:
A recente publicação com o tema do Dia Internacional do Enfermeiro – «Enfermeiros: Uma Voz para Liderar – Enfermagem para a Saúde no Mundo» assinala não só a celebração do bicentenário do nascimento de Florence Nightingale, considerada a fundadora da Enfermagem moderna, mas também surge no contexto da declaração do Ano Internacional do Enfermeiro em 2020, por parte dos Estados membros da OMS.
Desta forma, esta publicação surge num momento crucial, neste período marcado pela pandemia
Covid-19, tornando-se assim, num excelente veículo de promoção, oferecendo a oportunidade de um vislumbre sobre a maior profissão de saúde do planeta, como também, dos seus obstáculos, dos seus desafios e das suas conquistas.
O ano 2020 apresenta-se assim como um catalisador para impulsionar uma nova maneira de encarar a Enfermagem, para que, no futuro, os Enfermeiros sejam vistos pela contribuição única que trazem para o bem-estar de todas as pessoas do mundo na sua importância na prossecução dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e na Cobertura Universal de Saúde.
12-05-2020
Amaro Pinto
1 Almeida, Fernando Neves de – A Arte de Gerir Pessoas: Guia completo de técnicas e competências essenciais
(2ª Edição); edição: Actual Editora, janeiro de 2019 ‧ isbn: 9789896943776