Foi dia 7 de fevereiro apresentado em Sines, o projeto “100 Açúcar”, no qual estiveram presentes vários profissionais e parceiros da comunidade de Sines, e as quatro instituições que irão receber o projeto, nomedamente os infantários Capuchinho Vermelho, Conchinha, Pintainho e Colégio Estrela do Mar.

No mesmo dia, realizou-se também a primeira de muitas sessões de educação para a saúde previstas, tendo esta sido dirigida especificamente aos pais das crianças da instituição Pintainho.

O “100 Açúcar” é um projeto a 3 anos, que tem como principal objetivo a redução do consumo de açúcar em crianças dos 0 aos 3 anos de idade, sendo que  as escolas se comprometem a cumprir com a adoção de estilos de vida  e alimentação saudáveis.

Para entendermos melhor o enquadramento deste projeto no Programa Nacional de Promoção da Alimentação Saudável 2017 , os seus objetivos e metas a alcançar, o Gabinete de Comunicação da ULSLA falou com a Enfermeira Especialista em Saúde Infantil e Pediatria, Cátia Moura;

Comunicação ULSLA – Como surgiu este projeto, é pioneiro?

Cátia Moura – Não tenho conhecimento de outro projeto igual, nestes módulos e para esta população alvo, tendo a ideia surgido enquanto enfermeira especialista nesta área,  recorrendo também ao apoio de duas alunas de enfermagem do 4º ano a estagiarem connosco, tendo todas as unidades funcionais do Centro de Saúde de Sines apoiado e reconhecido a relevância do mesmo.

O PNPAS (Programa nacional de Promoção da Alimentação Saudável, 2017), tem como meta de saúde até 2020 a redução, em 10%, a média da quantidade de açúcar presente nos principais fornecedores alimentares à população até 2020. Define ainda como objetivos para alcançar esta meta: aumentar o conhecimento sobre a disponibilidade e consumos de sal, gorduras trans e açúcares da população portuguesa, seus determinantes e consequências; identificar e promover ações transversais que incentivem a disponibilidade e o consumo de alimentos de boa qualidade nutricional de forma articulada e integrada com outros sectores públicos e privados.

O PNPAS e a DGS em 2016 afirmam que os hábitos alimentares inadequados incluem a ingestão excessiva de açúcares simples, sendo um dos importantes fornecedores destes as bebidas açucaradas. Estes tem sido associada ao excesso de peso e consequentemente ao risco de desenvolvimento de doenças crónicas.  O Movimento 2020 (2017 a)) declara que o consumo de açúcares sob a forma de bebida, pastelaria ou outros produtos processados é uma preocupação.

Existe ainda um documento emitido pela DGS em 2016: “Redução do consumo de açúcar em Portugal: evidência que justifica a ação” que evidencia a problemática que é a elevada ingestão do consumo de açúcar em Portugal, bem como as suas consequências. Este incentiva ainda a que haja uma redução do consumo de açúcar.

Segundo o PNPAS (2016, 11), “(…) a ingestão excessiva de açúcares simples está associada ao excesso de peso/obesidade, sendo por isso um fator de risco de doenças crónicas.”

Projeto 100 açucar

A aquisição de hábitos alimentares saudáveis desde idades precoces é fundamental, de modo a reverter a epidemia da obesidade, que atualmente é um problema de saúde pública.

 

É verdade que “Os hábitos e as referências alimentares desenvolvem-se por volta dos 2 – 3 anos, nesta idade o ambiente familiar ainda tem uma maior influência sobre as crianças.” (Santos 2015,10), no entanto devemos ir ainda ao encontro dos locais onde as crianças passam 5 dias por semana e a maior parte do seu dia, chegando mesmo a ser a “segunda casa”

O “100 Açúcar”, surge não só da necessidade sentida na consulta de enfermagem de saúde infanto-juvenil, verbalizada por alguns pais da falta de apoio, no que toca a adoção de hábitos alimentares saudáveis na escola, mas da verificação da inadequação das ementas/práticas alimentares dos infantários.

C. ULSLA – Porquê até aos 3 anos?

Cátia Moura – Porque é até essa idade que se constroem os hábitos alimentares que perduram para toda a vida. A criança até aos 3 anos não consegue compreender o “fator exceção”, e quererá fazer da exceção a regra. O seu paladar ao tomar contacto com alimentos ricos em açúcar, sal, gorduras, etc., ficará comprometido, impossibilitando-a de optar, gostar dos alimentos mais saudáveis.

C. ULSLA – Segundo a OMS, as crianças portuguesas, aproximam o seu consumo de açúcar aos 25 % da sua energia ingerida diariamente, 5 vezes acima dos 5 % ideais. Como podem os pais evitar a pressão externa exercida no dia a dia em relação à comida fácil, mas perigosa?

Cátia Moura -Informando-se devidamente sobre os malefícios e adquirindo conhecimentos sobre interpretação de rótulos (DGS). Estaremos a ajudar os pais tornando as escolas seus aliados, estas devem ser exemplo de práticas saudáveis, tal como todas as instituições e profissionais que com elas lidam.

C. ULSLA – Sabemos que este é um projeto a 3 anos que além das crianças, irá também alterar hábitos alimentares aos pais, como encaram eles os objetivos do projeto na sua própria alimentação?

Cátia Moura – Existe sempre alguma resistência à mudança, principalmente nos adultos, no entanto esse trabalho é mais facilitado quando se fala no bem dos seus filhos. Um dos deveres dos pais prende-se com a obrigação de fornecerem uma alimentação saudável aos seus filhos, podendo-se inclusive considerar negligência quando tal não acontece, o que já acontece nalguns outros países.

Projeto 100 açucar

Para as crianças os pais são os ”seus heróis” e imitam-nos em tudo, importa eles serem exemplo!

C. ULSLA – Segundo a Drª Fernanda Santos responsável pela Unidade de Saúde Pública, este projeto será para estender a todos os concelhos do Litoral Alentejano, além da própria ULSLA, UCC e USP, qual será o próximo passo?

Cátia Moura – O projeto é piloto em Sines e após avaliação do mesmo, ambicionamos que se estenda aos outros concelhos da ULSLA, como o apoio da USP e unidades funcionais de cada local.

C. ULSLA – Que conselho ou alerta deixariam aos pais, sendo que muitas vezes lutam com falta de tempo para prosseguirem atenta e eficazmente o projeto em casa?

Cátia Moura-Procurem apoiar o projeto, envolvam-se e tentem usufruir das sessões que irão decorrer ao longo do projeto para os ajudar! Adocem os vossos filhos com afetos e 100 açúcar! A saúde delas depende de vocês!

Projeto 100 açucar

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